O que é que nos leva a ter desejos de comer e beber?

Uma nova investigação esclarece a forma como o cérebro interpreta as necessidades nutricionais e de hidratação e as transforma em acções

02.04.2025
© MPI für biologische Intelligenz / Julia Kuhl

Os neurónios especializados em "sede" e "fome" na amígdala funcionam através de circuitos distintos, influenciando o impulso para comer ou beber.

Para garantir que obtemos as calorias e a hidratação de que necessitamos, o cérebro depende de uma rede complexa de células, sinais e vias para nos orientar quando devemos comer, beber ou parar. No entanto, ainda não se sabe muito sobre a forma como o cérebro decifra as necessidades do corpo e as traduz em acções. Os investigadores do Instituto Max Planck para a Inteligência Biológica, em colaboração com a Universidade de Regensburg e a Universidade de Stanford, identificaram populações específicas de neurónios na amígdala - um centro emocional e motivacional do cérebro - que desempenham um papel fundamental neste processo. Estes neurónios especializados em "sede" e "fome" funcionam através de circuitos distintos, influenciando o impulso para comer ou beber. O estudo, efectuado em ratos, lança uma nova luz sobre o papel da amígdala na regulação das nossas necessidades nutricionais e pode oferecer informações sobre os distúrbios alimentares e a dependência.

No coração do centro emocional do cérebro

A amígdala, uma região do cérebro frequentemente ligada às emoções e à tomada de decisões, também desempenha um papel fundamental na formação do nosso desejo de comer e beber. Investigações anteriores conduzidas pelo grupo de Rüdiger Klein no Instituto Max Planck para a Inteligência Biológica revelaram que os neurónios no núcleo central da amígdala ligam a comida aos sentimentos - associando refeições saborosas a emoções positivas, associando comida má a aversão e suprimindo o apetite quando a náusea se instala. A equipa também demonstrou que a alteração da atividade destes neurónios pode alterar o comportamento, levando os ratos a comer mesmo quando estão cheios ou se sentem mal.

Com base nestas descobertas, a nova investigação detalhou grupos distintos de neurónios na mesma região central da amígdala que respondem especificamente à sede e outros que respondem à fome, guiados por uma complexa rede de pistas moleculares.

Um destes grupos de neurónios dedica-se exclusivamente a regular o desejo de beber, sendo o primeiro "neurónio da sede" identificado na amígdala", explica Federica Fermani, autora do estudo. "Quando activamos estes neurónios, os ratos bebem mais e quando suprimimos a sua atividade, os ratos bebem menos. Também identificámos um outro grupo de neurónios na mesma região da amígdala, que estimula a sede mas também desempenha um papel na regulação da fome. Estas descobertas realçam a forma como alguns neurónios mostram uma especialização notável para comportamentos específicos, enquanto outros têm papéis mais gerais na orientação das escolhas de comida e bebida".

Para explorar a forma como os neurónios do núcleo central da amígdala regulam o beber e o comer, os investigadores utilizaram ferramentas genéticas avançadas para estudar a atividade cerebral em ratinhos durante a fome, a sede e quando já estavam cheios e hidratados. Um dos métodos, denominado optogenética, permitiu à equipa ativar neurónios específicos utilizando proteínas sensíveis à luz e um laser sintonizado com precisão para ativar essas células. Também utilizaram abordagens para silenciar os neurónios, observando como a sua ausência influenciava a tendência dos ratos para comer ou beber. Combinando isto com novos métodos que permitem a monitorização de neurónios individuais em várias regiões do cérebro, os investigadores mapearam o local onde estes neurónios recebem informação e identificaram outras regiões do cérebro com as quais comunicam.

Levantar novas questões

O mapeamento das vias que estes neurónios utilizam para comunicar com outras regiões cerebrais revelou ligações a áreas envolvidas no processamento de informação sensorial sobre comida e água, como o complexo parabraquial. O estudo também explorou a forma como o cérebro equilibra outros factores, como o sabor, para moldar o comportamento. Por exemplo, ao associar um sabor de bebida menos preferido a uma estimulação específica dos neurónios na amígdala central, os investigadores descobriram que podiam alterar as escolhas dos ratos, transformando um sabor anteriormente evitado num novo favorito. Uma vez que a estrutura da amígdala é semelhante nos ratos e nos seres humanos, os investigadores sugerem que estas descobertas podem melhorar a nossa compreensão da forma como as emoções e as motivações influenciam os nossos próprios hábitos alimentares e de consumo.

"Os impulsos básicos como a sede e a fome garantem que comemos e bebemos nas alturas certas, dando ao nosso corpo a hidratação e a nutrição necessárias para sobreviver", explica Rüdiger Klein, Diretor do Instituto Max Planck para a Inteligência Biológica. "Mas estes mesmos circuitos neuronais também podem contribuir para comer demais ou de menos, dependendo dos sinais que encontram no cérebro. Ao descobrirmos estes processos, compreendemos melhor como o cérebro avalia emocionalmente a comida e a bebida, aprende a associá-las ao prazer ou à aversão e como o desenvolvimento neural molda os comportamentos inatos e aprendidos".

Este trabalho abre a porta a novas questões - tais como a forma como o cérebro equilibra o apetite, a sede e as emoções; como sabemos quando comemos ou bebemos demasiado pouco ou demasiado; como as necessidades concorrentes são geridas em simultâneo; e como estes circuitos são afectados em condições como a obesidade, a anorexia ou a dependência do álcool.

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